quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Democracia e liberdade

Palavras bonitas e fortes. Democracia sem governo não é democracia. Liberdade sem responsabilidade é sinônimo de baderna. São inócuas e sem utilidade na atual conjuntura. Sinto saudades da “ditadura”. Meu ego se remói ao me ouvir dizer isto. Sou obrigada a dizer, já que naquela época podíamos fazer muita coisa. Sonhar era até permitido e alguns sonhos se realizavam. Só não era permitido falar, emitir idéias, comentar sobre o governo. Reivindicar qualquer direito era um crime bárbaro. Para o povo simples isso não importava, ele era feliz. Hoje? Falo, reclamo, reivindico e o muito mais, qual a vantagem? Não se sonha mais. Quando se consegue sonhar não se realiza. Só temos luta pela sobrevivência. Escolas para os filhos só pagando. Mesmo pagando não se tem mais professores qualificados. Abro o jornal e constato que estamos em uma Guerra Civil. Eles ganham tão mal que não podem se reciclar. Saúde para o povo pregava os atuais governantes, onde está alguém viu? O autoritarismo está presente tão forte ou igual à época da “ditadura”. Temos um “DOPS” criado pelo governo que dizia repudiar a censura. Grevistas sendo perseguidos pela Polícia igual ao passado. Quanto ganha um soldado? Uma miséria, mas ele é o “robô” dos governantes. Seja ele qual for. Um Governo ilegal instalado no país e o Governo Legal finge que não vê. A Constituição achincalhada, desrespeitada. Os três Poderes atolados na lama da corrupção. Um Estado da Federação praticamente sitiado pelo Governo espúrio. Nada é feito. Vários bairros tomados e com leis próprias, sem que o Governo Legal consiga sequer chegar perto. Rotas de aviões alteradas, área de exclusão aérea decisões tomadas em época de Guerra. Não se consegue sair, se saímos não sabemos se voltamos. A incerteza e o medo tomam conta da população. Viramos prisioneiros dos mega-condomínios. Geramos com isso outro problema grave: as gangues de meninos de classe alta criados com ódio e violência no coração. A certeza da impunidade incrustada na mente, conceitos racistas aliados ao gosto pelas lutas. Essas gangues saem e matam, ateando fogo em índios, batem e roubam mulher simples, só pelo prazer de divertir-se. Como se isso fosse uma diversão! Sabem que nada vai acontecer com eles, são abastados, pertencem às classes dos iguais perante a lei. “Todos os iguais, são iguais perante a lei.” Versão do direito que é utilizado hoje. Essa Lei que impera num país entregue a própria sorte, que é vendido por trinta moedas a qualquer um. Os políticos, a justiça, a polícia, o Presidente e todos os escalões da nossa viciosa máquina governamental roubam e fica tudo como se nada tivesse ocorrido. Ônibus são queimados com pessoas dentro, criança arrastada pelos ladrões e balas “achadas” a todo o momento. Pessoas que fingem dormir para não dar lugar a um ser mais velho, a compostura se perdeu. A educação e o respeito se banalizaram não existindo mais. Os pais trabalham tanto que não tem tempo de educar os seus filhos. Criando verdadeiros bárbaros. A família não é mais uma entidade importante, casa-se e descasa-se como se fosse só trocar de roupas. Daí sentir saudades de uma época onde a televisão, jornais, revistas, rádios não pregavam a falência da família, da honestidade, a violência. As autoridades policiais eram respeitadas, você podia ir e vir sem o medo de uma bala “achada”. Lutei tanto contra a velha ditadura militar e hoje eu gostaria que ela voltasse, parece um contra-senso. Mas é como me sinto. Desamparada, sem direitos, revoltada com a loucura que está imperando. Totalmente amordaçada e manietada por um desgoverno tamanho. Teremos, ainda, meios de evitar o caos total?
De Eliana Rocha

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